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Educação e os desafios no Século XXI

Atualizado: 4 de Set de 2020


Autora: Monica Sapucaia Machado


Educação é processo, a palavra representa o caminho, a condução do aprender, percurso para compreender o entorno e absorver o conhecimento produzido. Em 1945, líderes mundiais reconheceram que “como as guerras começam nas mentes dos homens, é nas mentes dos homens que as defesas da paz devem ser construídas”, reafirmando a educação como o instrumento central na construção de uma sociedade pacífica e responsabilizando os países em educar as gerações e desenvolver mecanismos de manutenção da paz.


Sabemos que a sociedade contemporânea não é pacífica nem justa e que a humanidade se depara com problemas cada vez mais complexos e inter-relacionados, porém não há como negar o quanto a produção e disseminação de conhecimento modificaram e em muitos casos melhoraram as nossas vidas.


Educação, em especial a educação superior faz parte da estratégia dos Estados e das corporações no intuito de, não apenas oferecer mais oportunidade para o seu povo, mas também desenvolver tecnologias capazes de transformar a realidade a assim produzir valor económico. São nas universidades, nos laboratórios de pesquisa, seminários que surgem novas ideias que desembocam em novos produtos, novos sistemas, novas teorias, alimentando o ciclo de produção e desenvolvimento.


A quarta revolução industrial, que é mais que uma mudança do modelo de produção, abrange uma nova forma de constituir a sociedade, de consumir, interagir e de aprender. A figura do professor detentor de todos os saberes se desmancha e começa-se a desenhar um processo em que o estudante é o protagonista do seu aprendizado, os professores e professoras são apenas mediadores de diálogos e curadores de saberes.


Além disso, a ideia de que deveríamos estudar e entender tudo de uma única área, sermos cada vez mais especializados perde força para a compreensão de que as soluções estão na intercessão dos conhecimentos. Quando na busca por uma saída não basta apenas saber todas as leis de determinado assunto, é necessário que conheçamos a economia, sociologia, geografia urbana, engenharias e primeiro que saibamos aglutinar esses saberes no desenho das soluções.

A segunda década do século XXI estreia nos obrigando a rever os nossos modelos de vida, de produção, de contacto. A Covid-19 nos pressiona para reformularmos a maneira com que aprendemos, com que desenvolvemos ciência, referenciamos negócios e principalmente nos relacionamos.


A pandemia expõe as nossas desigualdades e a urgência em buscarmos saídas da zona de conforto, fora dos padrões do século XIX. Angariar habilidades e competências, valorizar a empatia, a solidariedade, a criatividade, promover a interacção, a flexibilidade são acções fundamentais para o profissional e o ser humano dessa nova era.


Em tempos de recolhimento expandir os nossos horizontes através da educação talvez seja nossa única saída para vencermos o vazio que o desmonte do modelo de vida que conhecíamos nos traz.

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