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Estado, Pandemia e Mulheres - Parte 1

Atualizado: 25 de Set de 2020

Estado, Pandemia e Mulheres: educação à distância como a nova imposição estatal em prol do patriarcado


Autora: Mônica Sapucaia

Artigo publicado na Revista Latinoamericana Del Colegio Internacional de Filosofia

A pandemia do COVID_19 terá diversas facetas e inúmeras consequências. O mundo pré-pandemia alimentava o discurso de uma comunidade global. Nunca se viajou tanto, bens e indivíduos surfavam numa grande onda da globalização, da aldeia global, o mito de que éramos todos pertencentes ao nosso tempo.


No ocidente a figura do Estado foi sendo deteriorada. Propagado como um ente a parte, foi o Estado considerado velho, intransigente, despreparado, quiçá obsoleto. O fim do embate com o ideário comunista fez com que o capitalismo ficasse livre para aumentar as suas garras e pulverizar o discurso de que o Capital seria a liga entre os países, as culturas e as pessoas.


Alimentados pela ideia de individualidade, de personalidade, pela venda da cultura da autoestima, do amor-próprio, da (auto) valorização, foi o indivíduo do século XXI convencido de que as suas conquistas eram particulares, de que o entorno nada tinha de interferências nas suas vitórias e fracassos e que as barreiras que outrora impediam determinados grupos sociais de alcançar posições desejadas tinham sido eliminadas no século XX. Éramos todos, nos discursos estatais ocidentais, igualmente livres para competir.


As lutas identitárias foram se afastando das lutas por distribuição de renda (FRASER,2007). Cada vez mais as caixinhas de identidade se entrelaçavam na busca por reconhecimento de direitos de afirmação e cada vez menos as lutas reivindicatórias por distribuição de renda eram encampadas. Nas primeiras duas décadas do século XXI as pautas de reivindicação social se expandiram na mesma proporção que suas inserções na sociedade se tornaram efêmeras.


O capitalismo se tornou o modelo de todos, não mais questionado de forma sistêmica, apenas ponderado quando em choque com outros valores e na grande maioria das vezes ganhando essas disputas. O Estado de limitador e controlador do capital se transformou em funcionário, em gerente das suas necessidades e em atenuador das demandas sociais.


As mulheres ocidentais, com certeza, foram protagonistas no século XX quando debatemos as conquistas relacionadas a direitos formais. Saíram elas, no início do século XX, da condição de não-cidadãs para quase-igualdade de direitos em relação aos homens.


A maioria das nações ocidentais garante às mulheres e aos homens os mesmos direitos políticos e sociais. Podemos votar, sermos votadas, comprar, vender, casar, separar, ter ou não filhos. Chegamos às presidências dos Estados, Parlamentos, chefiamos empresas multinacionais, fomos ao espaço. Sempre que tem um encontro mundialmente importante, um fórum decisivo, UMA mulher lá está.


Segundo o Banco Mundial as mulheres representam 38.8% da força de trabalho do mundo desde 1990, porém se recortarmos apenas a América Latina, Europa e América do Norte as percentagens são 41.8%, 45.9% e 46.2% respetivamente.


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